Gênero Lírico
Ocorre quando um “eu” nos passa uma emoção, um estado; centra-se no mundo interior do poeta apresentando forte carga subjetiva. O poeta posiciona-se em face dos “mistérios da vida”. São características deste gênero: a musicalidade, a repetição, a antidiscursividade e a alogicidade, elementos cultivados com intensidade pelos poetas, então as poesias passou a apresentar uma estrutura mais rica.
FERREIRA GULLAR
Nascido em São Luis do Maranhão, em 1930, procurou apontar em sua obra a problemática da vida política e social do homem brasileiro. Poeta, crítico, teatrólogo e intelectual, Ferreira Gullar entra para a história da literatura como um dos maiores expoentes e influenciadores de toda uma geração de artistas dos mais diversos segmentos das artes brasileiras.
POEMA OBSCENO
Façam a festa
cantem e dancem
que eu faço o poema duro
o poema-murro
sujo
como a miséria brasileira
Não se detenham:
façam a festa
Bethânia Martinho
Clementina
Estação Primeira de Mangueira Salgueiro
gente de Vila Isabel e Madureira
todos
façam
a nossa festa
enquanto eu soco este pilão
este surdo
poema
que não toca no rádio
que o povo não cantará
(mas que nasce dele)
Não se prestará a análises estruturalistas
Não entrará nas antologias oficiais
Obsceno
como o salário de um trabalhador aposentado
o poema
terá o destino dos que habitam o lado escuro do
país
- e espreitam.
Este poema é de forma satírica, se propõe corrigir os efeitos humanos, mostrando o ridículo de determinada situação.
TEMA: As desigualdades sociais
TESE: O poema faz uma critica sobre a as desigualdades sociais do governo, o poeta assume para si a trabalhosa tarefa de enfrentar uma luta pessoal contra a repressão e miséria.
NÃO HÁ VAGAS
Ferreira Gullar
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
de carvão
nas oficias escuras
- porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”
Só cabe no poema
O homem sem estômago
A mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira.
TEMA: A opressão da ditadura militar.
TESE: A poema retrata a vida de um cidadão brasileiro na época da ditadura, no qual as classes baixas sofrem com as péssimas condições de trabalho e com seu miserável salário que não dar para compra o pão do dia. Tudo isto porque não há vaga para o povo, este vive sufocado, quem manda é o governo.
FONTE: Internet (google).
Poemas muito polêmicos... Um "tapa na cara" de muita gente. Ferreira Gullar soube articular as palavras e chocar! Muito bom...
ResponderExcluirMuito boa a escolha dos poemas. O poeta utiliza a subjetividade da poesia e as figuras de linguagem para denunciar os absurdos que ocorrem do nosso país.
ResponderExcluirEspero que Gullar continue vivo por muitos anos, mesmo com a idade avançada, pois sempre utilizou seus poemas como denuncia e ainda há muitas coisas para serem denunciadas.
ResponderExcluirO poema, de Ferreira Gullar, Não Há Vagas denuncia a época da ditadura, tempo em que o povo era oprimido pelos militares.Assim como este poema denuncia uma realidade, o outro, Poema Obsceno, também vem denunciar as desigualdades sociais.
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