segunda-feira, 19 de setembro de 2011

POESIA LÍRICA

Gênero Lírico

  Ocorre quando um “eu” nos passa uma emoção, um estado; centra-se no mundo interior do poeta apresentando forte carga subjetiva. O poeta posiciona-se em face dos “mistérios da vida”. São características deste gênero: a musicalidade, a repetição, a antidiscursividade e a alogicidade, elementos cultivados com intensidade pelos poetas, então as poesias passou a apresentar uma estrutura mais rica.

FERREIRA GULLAR

Nascido em São Luis do Maranhão, em 1930, procurou apontar em sua obra a problemática da vida política e social do homem brasileiro. Poeta, crítico, teatrólogo e intelectual, Ferreira Gullar entra para a história da literatura como um dos maiores expoentes e influenciadores de toda uma geração de artistas dos mais diversos segmentos das artes brasileiras.

POEMA OBSCENO

Façam a festa
          cantem e dancem                                                                             
que eu faço o poema duro
                                  o poema-murro
                                  sujo
                                  como a miséria brasileira  
       Não se detenham:
       façam a festa
                             Bethânia Martinho
                             Clementina
       Estação Primeira de Mangueira Salgueiro
       gente de Vila Isabel e Madureira
                                                           todos
                                                           façam
                     a nossa festa
enquanto eu soco este pilão
                            este surdo
                                  poema
que não toca no rádio
que o povo não cantará
(mas que nasce dele)
Não se prestará a análises estruturalistas
Não entrará nas antologias oficiais
                      Obsceno
como o salário de um trabalhador aposentado
                      o poema
terá o destino dos que habitam o lado escuro do
país
                      - e espreitam.

Este poema é de forma satírica, se propõe corrigir os efeitos humanos, mostrando o ridículo de determinada situação.

TEMA: As desigualdades sociais                        

TESE: O poema faz uma critica sobre a as desigualdades sociais do governo, o poeta assume para si a trabalhosa tarefa de enfrentar uma luta pessoal contra a repressão e miséria.


NÃO HÁ VAGAS
                                               
                                                                           Ferreira Gullar
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
de carvão
nas oficias escuras

- porque o poema, senhores,
está fechado:
 “não há vagas”

Só cabe no poema
O homem sem estômago
A mulher de nuvens
a fruta sem preço

     O poema, senhores,
     não fede
     nem cheira.


TEMA: A opressão da ditadura militar.

 TESE: A poema retrata a vida de um cidadão brasileiro na época da ditadura, no qual as classes baixas sofrem com as péssimas condições de trabalho e com seu miserável salário que não dar para compra o pão do dia. Tudo isto porque não há vaga para o povo, este vive sufocado, quem manda é o governo.

                                  FONTE: Internet (google).

4 comentários:

  1. Poemas muito polêmicos... Um "tapa na cara" de muita gente. Ferreira Gullar soube articular as palavras e chocar! Muito bom...

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  2. Muito boa a escolha dos poemas. O poeta utiliza a subjetividade da poesia e as figuras de linguagem para denunciar os absurdos que ocorrem do nosso país.

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  3. Espero que Gullar continue vivo por muitos anos, mesmo com a idade avançada, pois sempre utilizou seus poemas como denuncia e ainda há muitas coisas para serem denunciadas.

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  4. O poema, de Ferreira Gullar, Não Há Vagas denuncia a época da ditadura, tempo em que o povo era oprimido pelos militares.Assim como este poema denuncia uma realidade, o outro, Poema Obsceno, também vem denunciar as desigualdades sociais.

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